Avançado renuncia à seleção suíça

Noah Okafor deixou uma mensagem muito longa nas redes sociais para justificar a decisão.
Noah Okafor, avançado do Leeds e 26 vezes internacional pela Suíça, tomou a surpreendente decisão de deixar de jogar pelo seu país.
Numa longa mensagem nas redes sociais, o futebolista de 26 anos justifica ter-se retirado da seleção por sentir que "a confiança foi quebrada" com o atual treinador helvético, Murat Yakin, devido a "promessas que não foram cumpridas" e a determinadas reações do técnico a erros de Okafor durante as partidas.
O ex-jogador do AC Milan, que, no último Mundial, só esteve em campo durante um total de 19 minutos, reconheceu, ainda assim, o "excelente trabalho" do selecionador de 51 anos, que, segundo o próprio jogador, "alcançou feitos históricos com a Suíça".
Apesar de não perspetivar um entendimento entre as partes que o possam levar a mudar de ideias, Noah Okafor admite que vai continuar a apoiar a equipa do seu país e que representar a seleção helvética foi "muito especial".
Leia a mensagem na íntegra:
«Queridos adeptos,
Estas linhas são as mais difíceis que já escrevi na minha carreira. Após uma longa reflexão, decidi retirar-me da seleção suíça até novo aviso.
Esta decisão é extremamente difícil para mim, mas quero e tenho de a comunicar agora. Nunca houve nada maior para mim do que representar a Suíça. Sempre que vesti esta camisola, tentei deixar o meu coração em campo. Teria continuado a jogar pela Suíça no futuro com muito gosto e a dar tudo pelo nosso país.
Mas, sob as atuais circunstâncias, simplesmente já não consigo.
É importante para mim esclarecer uma coisa: esta decisão não tem nada que ver com minutos de jogo. Sei que no passado nem sempre fiz tudo bem. Os jogadores jovens cometem erros, e pedi desculpas por isso. Mas agora a situação é diferente. Mesmo no Campeonato do Mundo, aceitei sempre as fases difíceis e coloquei-me sempre ao serviço da equipa! Foi uma enorme honra para mim estar presente no Mundial a representar o meu país.
Acreditei durante muito tempo que a situação iria mudar. Um ano após o Europeu, o Murat Yakin veio propositadamente a Inglaterra ter comigo, juntamente com membros da equipa técnica, para termos uma conversa esclarecedora. Foi uma conversa muito boa e de grande apreço. Conseguimos olhar para o futuro e esclarecer mal-entendidos. Fiquei grato ao Murat Yakin por isso.
Foi precisamente por essa razão que viajei para o Mundial com um bom pressentimento, cheio de motivação e com a firme vontade de dar tudo pela equipa e pela Suíça.
Por isso, foi ainda mais dececionante para mim o que lá vivi. Não por ter jogado pouco, mas pela forma como fui tratado. Para mim, foi o momento mais difícil da minha carreira até ao momento.
Antes de mais: sei que agora alguns vão pensar: "Ah, o Okafor está apenas amuado porque quase não jogou". Mas repito: a minha decisão não tem nada que ver com minutos de jogo. Viajei para o torneio para apoiar a minha equipa da melhor forma possível, dentro e fora de campo.
Aconteceram coisas que me afetaram profundamente. A confiança foi quebrada. As promessas não foram cumpridas. E quando pude jogar contra a Argélia, reagiu-se a pequenos erros — mesmo longe da nossa baliza — de uma forma que me afetou profundamente.
Nas semanas seguintes, pensei muito e decidi que não quero continuar a jogar pela seleção sob o comando do atual treinador. O Murat Yakin está a fazer um excelente trabalho e alcançou feitos históricos com a Suíça. O sucesso dá-lhe razão e ao seu trabalho. E, claro, não quero qualquer tratamento especial da parte dele. Apenas respeito mútuo e confiança, mas não vejo essa base para os próximos anos.
Desejo do fundo do coração o melhor à equipa. Fico feliz com cada sucesso do grupo e considero que alcançámos coisas fantásticas no Mundial. Muitos dos meus colegas de equipa são amigos e continuarei a torcer por eles e a apoiá-los.
Estou grato à Suíça por tudo o que pude viver. Jogar por este país foi e continua a ser algo muito especial. Acreditem em mim: sempre que estive em campo, deixei o meu coração por esta camisola.
Até breve,
Noah»














